


As lembranças mais marcantes da infância nunca deixam nossa memória, seja ela ruim ou boa, as recordações estão sempre presentes; a primeira queda ao tentar arriscar os primeiros passos, aquele grande tombo na bicicleta nova de rodinhas já tortas, ou em alguns casos o primeiro óculos com cordinhas legais, os desenhos animados que coloriam cada manhã de cada dia, a primeira música que aprendemos a cantarolar, enfim, como sempre diz-se tudo o que somos hoje é resultante daquilo que outrora vivemos.
Além da noite
Durante a noite não há controle,
Os pensamentos estão a solta
Os monstros aos arredores
E os pesadelos imprevisíveis de volta.
Sim, belos pesadelos
O frio me toma, o medo de consome
Tento fugir, talvez me libertar
Mas, nem ao menos podera eu gritar.
Certo do que se trata,
O único jeito é suportar,
Inconsciente, entorpecido
Feito uma estátua no altar.
O brilho ofuscante do sol,
Sob meus olhos vagos e obscuros,
Faz-me do longo sono despertar,
É apenas mais uma noite a se recordar.
| — | Pedro M. |
Sonhos, doces sonhos, sempre me perseguem, incontroláveis, indomáveis como uma grande fera em meio a um picadeiro de alegrias e palhaçadas. Mas, afinal se nem meus sonhos posso comandar, o que nesta vida irei eu controlar? Na verdade, nem todo mundo tem controle sobre sua vida, ou talvez ninguém tenha. A verdade é que vivemos a merce do medo, como robôs programados apenas para dizer sim, apenas para aceitar, não para questionar, não para contrariar. Disso, surge-me mais uma questão, se estamos sob controle de algo ou alguém, onde estará a liberdade? A liberdade é de fato uma questão de ponto de vista, ou até mesmo algo particular, cada um pode encontrar a sua, porém é preciso uma certa vontade, um desejo de fugir do óbvio, remar contra a maré, seguir apenas seus conceitos sem se importar com opiniões alheias, sem se deixar influenciar, esquecer dos apegos, tornar-se de fato um ser livre; livre em suas opiniões, livre em pensamentos, livre para encarar o que der e vier como um pássaro que bate arduamente suas asas sem direção, sem medo de cair, sem receios ou culpa alguma.
Pedro M.
[…] Uma coisa é fato, nem todo mundo é obrigado a seguir uma determinada corrente, podemos ser livres, remar contra a maré, isso é apenas uma questão de querer sair da escuridão para um lugar bem mais claro, buscar um desapego às coisas banais, ser um independente por completo.
| — | Pedro M. |
E todas as manhãs tenho que me certificar
De tudo que sou e deixei de ser
Se pertenço ou não a esse lugar.


